Augusto dos Anjos (1884-1919)
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Célere ia o caixão, e, nele, inclusas Cinzas, caixas cranianas, cartilagens Oriundas, como em sonho dos selvagens De aberratórias abstrações abstrusas!
Nesse caixão iam talvez as Musas, Talvez meu Pai! Hoffmannicas visagens Enchiam o meu encéfalo de imagens As mais contraditórias e confusas!
A energia monística do Mundo, À meia noite penetrava fundo No meu fenomenal cérebro cheio...
Era tarde! Fazia muito frio. Nas ruas apenas o caixão sombrio Ia continuando o seu passeio!
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Augusto dos Anjos
Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no engenho Pau-d`Arco, Vila do Espirito santo, Paraíba, a 20 de abril de 1884. De uma família de proprietários de engenhos, assiste, nos primeiros anos do século XX, à decadência da estrutura latifundiária, substituída pelas grandes usinas. Em 1903, matricula-se na Faculdade de Direito de Recife, formando-se em 1907. Retorna à capital paraibana, onde leciona literatura brasileira; casa-se em 19010. Nesse ano, em conseqüência do desentendimento com o governador, é afastado do cargo de professor do Liceu Paraibano. Muda-se para o Rio de Janeiro e dedica-se ao magistério, lecionando no Colégio Pedro II. Em 1911 morre prematuramente seu primeiro filho. No ano seguinte, pública Eu , seu único volume de poesias. Em 1914, transfere-se para Leopoldina, Minas Gerais, para assumir a direção de um grupo escolar. Morreu aos 30 anos, vítima de congestão pulmonar, em 12 de novembro de 1941. Extremamente bem trabalhados, seus poemas têm uma linguagem cientificista, mesclados ao asco da humanidade. Ele fala do verme, da podridão, do urubu, da morte, das moléculas entre outros vocábulos impressionantes, utilizando palavras antipoéticas as quais não inutilizam o belo de sua poesia. A obra de Augusto dos Anjos é a soma de todas as tendências da Segunda metade do século XIX e do inicio do século XX.
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