Vinicius de Moraes (1913- 1980)
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Marcus Vinícius de Melo Moraes nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1913. Bacharel em Letras, formou-se também em Direito no mesmo ano em que estreou como escritor: 1933. Cinco anos mais tarde, foi para Oxford, na condição de bolsista mas a explosão da guerra, em 1939, forçou a volta ao Brasil. Ingressou na carreira diplomática em 1943 e em 1946 foi para Los Angeles, como vice-cônsul. Em 1953 compôs seu primeiro samba: era o inicio da atividade que iria absorvê-lo. Alguns anos depois, convidou Tom Jobim para fazer a música do espetáculo Orfeu da Conceição, peça de sua autoria, que viraria depois o filme Orfeu negro, premiado com a Palma de Ouro no festival de Cannes. Vinícius
já estava no terceiro de seus dez casamentos quando saiu o disco
Canção do amor demais, com músicas dele e de Jobim; nesse disco
ouvia-se, pela primeira vez, a batida da bossa-nova no violão de
João Gilberto, acompanhando a - cantora Elizete Cardoso na música
"Chega de saudade", marco inicial do movimento.
"Garota de Ipanema", de 1962, é a música brasileira
mais Morreu no Rio de Janeiro, em 1980. Em sua obra, o poeta expressa, com intensa angústia, a constante oposição entre matéria e espírito, da qual resulta a sensação de pecado. A existência terrena configura-se para ele como o caos, o abismo. Procura no misticismo a solução para esse embate. Esta é a visão de mundo predominante em O caminho para a distância. Nesse contexto, o amor - pelo fato de vincular o homem ao mundo terreno - tem conotação negativa, de início. No livro seguinte, Forma e exegese, no entanto, o amor começa a assumir o papel de força que permitiria unir o material e o espiritual, sobretudo na figura da mulher idealizada. O poeta começa a desligar-se do plano místico e procura, na realidade do cotidiano, a saída para suas angústias. Em Ariana, a mulher - longo poema publicado como livro - e Novos poemas, despontam os primeiros sinais de sensualismo e erotismo que mais tarde caracterizarão sua obra. Cinco elegias é a obra que marca a transição definitiva do misticismo para a realidade do dia-a-dia, nova fonte de inspiração de Vinícius. O mundo circundante oferece agora ao poeta não só a temática, mas a possibilidade de superação dos conflitos da primeira etapa de sua poesia. É o que se observa em Poemas, sonetos e baladas. A linguagem se modifica, tornando-se mais coloquial, direta, ao mesmo tempo, o poeta recupera a linguagem clássica nos sonetos, considerados em conjunto como a melhor parte de sua poesia. Na trajetória de Vinícius, a linguagem grandiloqüente dos primeiros poemas vai aos poucos cedendo lugar à expressão mais acessível, mais próxima do cotidiano, mais comunicativa. Adicione-se a isso a inclinação musical do poeta e o resultado é previsível: a música popular torna-se o veículo de comunicação privilegiado. Primeiro, a bossa-nova inicial com letras intimistas e de "fossa". Depois, os afro-sambas - resultantes da parceria com Baden Powell - recuperando raízes culturais do Brasil. Finalmente, as múltiplas parcerias e variedades de temas. Obra: Poesia: O caminho para a distância (1933); Forma e exegese (1935); Ariana, a mulher (1936); Novos poemas (1938); Cinco elegias (1943); Poemas, sonetos e baladas (1946); Livro de sonetos (1957); Novos poemas II (1959); O mergulhador (1965); A arca de Noé (1970). Prosa: O amor dos homens (1960); Para viver um grande amor (1962) e Para uma menina com uma flor (1966) - crônicas. Teatro: Orfeu da Conceição (1955); Pobre menina rica (1962) - em parceria com Carlos Lyra.
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